Pobreza digital, pobreza de renda e perfil socioeconômico das famílias do Estado do Ceará
A pobreza digital sempre foi motivo de preocupação para os entes públicos. Com o avanço da internet, surgimento dos smartphones e, consequentemente, o crescente desenvolvimento de produtos e serviços ofertados pela internet e/ou aplicativos, o problema se agravou.
É possível identificar pelo menos três barreiras que dificultam a inclusão digital: ausência de cobertura de internet, inexistência de meios para acessar a internet e falta de habilidade para usar os aparelhos ou softwares. Ter essas barreiras em mente é importante para o desenvolvimento de propostas adequadas que ajudem a mitigar o problema.
Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua de 2019, reportados na Tabela 1, o problema parece ser ainda mais grave para os cearenses localizados em zonas rurais, com baixa escolaridade e pobres, com apenas 12,7% da população rural, 25% daqueles que possuem fundamental incompleto e no máximo 21,5% dos que recebem até um salário mínimo possuindo acesso à internet no próprio domicílio.
No final dos anos 2000, o Governo do Ceará implementou uma importante iniciativa com intuito de ampliar a cobertura de internet no estado, o Cinturão Digital do Ceará (CDC). O CDC teve em suas fases iniciais o objetivo de aumentar a eficiência da oferta de serviços públicos de saúde, educação e segurança prestados por órgãos públicos estaduais e municipais através da ampliação do acesso à internet, permitindo o aumento da oferta de serviços de telemedicina, educação à distância e registros de boletim de ocorrência de forma eletrônica. Posteriormente, por meio de concessões, foi permitido o acesso à capacidade instalada proporcionada pelo Cinturão ao restante da população.