Desenvolvimento de pellet de biocompósito de madeira plástica a partir de palha de carnaúba (Copernicia prunifera) e resina de polipropileno e polietileno
E-Descarte Importação e Exportação de Metais Ltda.
A produção de produtos plásticos no Brasil é cara em função da força da moeda local, altos impostos sobre cada etapa da cadeia de abastecimento e altos custos de energia e de trabalho. Os altos custos de matérias primas, como resinas termoplásticas, também aumentam os custos de produção. Essa matéria-prima é responsável por 60-70% dos custos de produção para a indústria do plástico. As matérias primas alternativas vão expandir-se com a construção de novas usinas. Além disso, resina doméstica, compostos e fornecedores de masterbatch (composto plástico de um ou mais aditivos em alta concentração usado em segmentos da indústria de transformação plástica) estão em ascensão (EUROMONITOR, 2014). Pesquisas atuais mostram os esforços mundiais em torno do reaproveitamento de biomassa, de modo que estes venham a fazer parte de um produto final competitivo. Uma das maneiras de reaproveitar materiais lignocelulósicos (biomassa de origem vegetal), consiste na inserção de componentes naturais fibrosos no interior de resinas plásticas, de forma a gerar compatibilidade entre o resíduo de biomassa e a resina polimérica. A este tipo de produto é dado o nome de madeira plástica advindo do inglês Wood Plastic Composite (WPC). Atualmente no Brasil a madeira plástica é elaborada com serragem e pó de madeira gerados pela indústria moveleira, onde cada tipo de fibra inserida em matrizes termoplásticas possui peculiaridades, não sendo possível definir uma regra para toda e qualquer fibra natural. No Sul do Brasil já é explorada a madeira plástica de ébano, massaranduba, dentre outras. Na região Nordeste é possível encontrar os espécimes elaborados com casca de arroz e fibra de coco, tendo este último uma produção dificultada em função dos problemas associados com a logística e extração da fibra de coco verde. Dentro desse contexto, a empresa Ecoletas tem como objetivo desenvolver pellets a partir de uma resina termoplástica de polipropileno reciclado com fibras naturais advindas do resíduo da palha da carnaúba. Essas fibras ao serem inseridas em sua composição, visam à produção de um novo biocompósito de madeira plástica que garanta a resistência mecânica e estética visual dos produtos que venham a ser produzidos com a madeira plástica de carnaúba. A técnica desenvolvida no estudo está dividida nas seguintes etapas: i) pré-tratamento da palha da carnaúba; ii) moagem em granulometria adequada à aplicação; iii) inserção das fibras na matriz termoplástica; iv) teste dos materiais compósitos obtidos. A tecnologia desenvolvida no estudo deverá abrir o mercado para indústrias de formulação de resinas recuperadas, fazendo com que o desenvolvimento de materiais poliméricos no estado do Ceará seja alavancado. O produto deverá alimentar continuamente empresas do setor de transformados plásticos, construção civil e a indústria moveleira. A técnica desenvolvida nesse trabalho, se transformará em uma alternativa tecnológica para gestão de resíduos agroindustriais da palha da carnaúba na esfera nordestina. O Estado do Ceará se destaca como produtor da cera de carnaúba, sendo uma de suas principais atividades extrativas, estando entre os 10 produtos mais exportados do estado (IPECE, 2014). Este nível de produção traz consigo a geração de toneladas de resíduos de palha de carnaúba que devem ganhar destino tecnológico com a execução deste trabalho, considerando que atualmente grande parte das palhas de carnaúba descartadas tem como destino os fornos para geração de energia em plantas industriais ou o descarte aleatório, tornando evidente a subutilização do resíduo.
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