Walber Nunes Vasconcelos ME
A crise hídrica vem se agravando em diversos estados do país e impactando negativamente vários setores da economia. No estado do Ceará o cenário não é diferente. Segundo a Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos - Cogerh, o volume do Castanhão, açude que supri 100% da demanda metropolitana, está hoje reduzido à 8,89% de sua capacidade, o pior índice registrado em 12 anos. A previsão é que em 100 dias atinja seu volume morto, isto é, a reserva mais profunda. A partir deste nível, a liberação da água deixa de ser por gravidade e há necessidade de bombeamento para transferência para o Rio Jaguaribe, Eixão das Águas e Região Metropolitana de Fortaleza, além do complexo portuário do Pecém. Objetivando combater este problema, a Cagece revisou sua tarifa extraordinária e criou um programa para incentivar a redução do consumo através do estabelecimento metas de consumo para seus clientes. Aqueles que extrapolam a meta pagam uma tarifa de contingência, além da tarifação padrão, sobre o consumo que ultrapassa da meta definida. A estratégia que estimula a redução do consumo de água alcançou resultados bem inferiores às expectativas da Cagece para o primeiro semestre de 2016. Desde que foi implantada no fim do ano passado, até julho de 2016, a tarifa de contingência conseguiu atingir apenas 4,5% de redução, menos da metade da sua meta, que era de 10% de economia.
A Cagece, então, decidiu ampliar a meta de economia e recebeu no dia 18 de agosto de 2016 a autorização da Autarquia de Regulação, Fiscalização e Controle de Serviços Públicos de Saneamento Ambiental (ACFOR) para aplicar, em Fortaleza, a revisão da meta de redução de consumo da Tarifa de Contingência, que passou de 10% para 20%. A maioria dos consumidores tem consciência da crise hídrica que o Estado vem enfrentando, assim como sabem da existência do programa de contingência da Cagece. Porém, na prática, sentem dificuldade em reduzir o consumo, pois não conseguem monitorar em tempo real a quantidade de água que estão utilizando, assim como o consumo acumulado. A maioria também não consegue identificar sozinhos os fatores que mais contribuem para elevar o consumo, como por exemplo vazamentos, atividades de alto consumo, esquecimento de pontos de consumo (torneiras) com registro aberto, dentre outros.
Para a Cagece, além da escassez hídrica, que compromete severamente a qualidade dos seus serviços, os vazamentos e os furtos de água, popularmente conhecidos por ‘gatos’, também são problemas sérios que a companhia enfrenta diariamente. Estes problemas provocam quedas de pressão nas redes de distribuição, desperdício de água e prejuízos financeiros para a empresa. Pensando nessas problemáticas, a SIAC, com o apoio da Cagece, concebeu um produto que está sendo desenvolvido para facilitar a vida da companhia e ajudar os usuários a utilizarem a água de forma mais racional. Este produto foi concebido pensando especialmente no pequeno consumidor, porém também representa uma poderosa ferramenta que permitirá a Cagece monitorar em tempo real o consumo individual de cada cliente, criando também mapas de consumo regionais e locais, assim como permitirá verificar a pressão em diversos pontos da rede de distribuição, facilitando assim a identificação de vazamentos e furtos de água. O sistema também permitirá implementar a automação completa da geração das faturas dos clientes. Através de um sistema de baixo custo, com preço final estimado em R$ 250,00 por residência, o usuário vai conseguir monitorar, utilizando seu smartphone, tablet ou PC, em tempo real, o seu consumo instantâneo e o acumulado no dia e no mês, com comparativo diário e mensal com a meta de contingência da Cagece, assim como passará a saber o custo financeiro correspondente ao consumo acumulado. Além disso, o sistema será capaz de identificar padrões de consumo característicos de vazamentos ou pontos de consumo total ou parcialmente abertos, alertando o usuário, em tempo real, da possibilidade destes problemas. Por fim, o sistema irá realizar automaticamente o mapeamento inteligente do consumo, mostrando ao usuário a contribuição percentual de cada atividade no seu consumo acumulado. Dessa forma, o sistema pode traçar o perfil de consumo do usuário e envie dicas e sugestões de racionamento personalizadas ao perfil do consumidor, visando contribuir com o uso mais racional.