Desenvolvimento de revestimentos sustentáveis de alta performance do tipo epóxi novolac para aplicação em torres eólicas offshore
A instalação de usinas de energia eólica offshore é uma das mais recentes alternativas para a produção e energias renováveis. Uma questão ainda que deve ser avaliada é tempo para manutenção dos parques eólicos offshore.
A localização das estruturas em alto mar não é uma situação nova, pois a indústria do petróleo utiliza plataformas de exploração de óleo e gás que operam nessas regiões há várias décadas. Entretanto, existem diferenças críticas entre plataformas e torres eólicas offshore, sendo o mais significativo que as torres eólicas offshore são estruturas não tripuladas com acesso altamente restrito. Em plataformas petrolíferas, os sistemas de proteção contra corrosão, geralmente, estão em inspeção permanente, ou seja, áreas deterioradas podem ser observadas e reparadas com relativa facilidade. Esses reparos não são viáveis em torres de energia eólica offshore. A especificação para sistemas de proteção contra corrosão para torres de energia eólica deve conter as seguintes demandas: alta agressividade corrosiva devido a localização em alto mar, carga mecânica de devido ao vento, variáveis de temperatura e corrosão microbiológica.
No caso do Ceará, a corrosão dos materiais e suas formas de proteção é uma questão que necessita de ação estratégica e tecnológica. As principais características da região litorânea do estado do Ceará que confere a esta uma elevada taxa de corrosão são: a) temperatura média de 30 °C durante o ano, b) constante entrada de ventos do oceano para o continente, o que promove corrosão devido à névoa salina, c) elevado índice de insolação durante o ano e d) elevada umidade relativa do ar (em torno de 80%). Para condição offshore ocorre um agravante, pois são observadas três regiões bem definidas: uma região permanentemente exposta à água (zona subaquática); uma região intermediária onde o nível da água altera devido aos efeitos naturais ou artificiais; e uma região que possui ação de pulverização (respingos), que pode causar corrosão elevada, especialmente com água do mar. Adicionalmente, a corrosão microbiológica também atua degradando a superfície metálica.
Dentre as técnicas de proteção anticorrosiva existentes, a aplicação de tintas ou de sistemas de pintura é uma das mais empregadas. A pintura, como técnica de proteção anticorrosiva, apresenta uma série de propriedades importantes, tais como facilidade de aplicação e de manutenção e boa relação custo-benefício.
Nos últimos anos, o desenvolvimento tecnológico no setor de tintas tem sido intenso, não só no que diz respeito a novos tipos de resina e de outras matérias-primas, mas também em relação a novos métodos de aplicação. Outro aspecto importante a ressaltar é que às restrições impostas pelas leis ambientais têm levado os fabricantes a desenvolverem novas formulações. Com efeito, a pesquisa de produtos naturais e atóxicos é de relevante interesse para a sociedade. Adicionalmente o emprego de materiais mais compatíveis às condições de exposição diminui sobremaneira o risco de acidentes.
O mercado possui alguns revestimentos de alta resistência, mas todos fabricados no Sudeste do Brasil. O projeto será desenvolvido em conjunto com a Fortcolor Tintas e Vernizes Ltda. Com este projeto, a Fortcolor pretende ser a pioneira no Nordeste a fabricar este produto e se tornar um fornecedor para as empresas da região.
Dentro desse contexto, este projeto tem como objetivo principal contribuir para a especificação adequada de revestimentos orgânicos, para proteção contra corrosão, que sejam mais adequados a utilização em torres eólicas offshore na região litorânea do Ceará, visando aumentar o tempo para manutenção dos equipamentos.